Refluxo: quando o estômago não segura o alimento

By on 22 de fevereiro de 2014

Já sentiu uma queimação na altura do peito após comer? Ou mesmo aquela sensação de que a comida está voltando? Normal. Todos, uma hora ou outra, passam por isso e muitas vezes não percebem. O problema é quando essa sensação é muito recorrente e causa irritação e desconforto. Quem nos explica sobre a doença do refluxo é o médico gastroenterologista do Grupo Hospitalar Conceição, Ângelo Zanzam Matos.

O refluxo ocorre quando o ácido produzido no estômago sobe para a região do esôfago. “O estômago tem um revestimento interno que está preparado para esse nível de acidez, mas o esôfago não. Quando o ácido sobe ao esôfago provoca uma inflamação que gera uma queimação e aquela sensação de que o conteúdo gástrico sobe até a boca”, explica Ângelo Mattos.

“Se eu deitar após me alimentar sinto um desconforto. Dá uma tosse e uma queimação”, narra R. L. G., de 36 anos. A administradora hospitalar descobriu o refluxo há quatro anos. Chegou a tomar a medicação e com a melhora, logo suspendeu o remédio. Porém, faz um mês que o refluxo voltou obrigando-a a tomar os remédios novamente. “A tosse já deu uma melhorada. Ainda sinto um pouco de azia e mesmo que não esteja deitada tenho a sensação que vou vomitar”, conta R.L.G.

Ângelo explica que muitas podem ser as causas do refluxo. Desde alterações anatômicas e da função da musculatura entre o esôfago e o estômago, até comportamentos que facilitam o refluxo em pessoas predispostas. “O tabagismo, o alcoolismo, o consumo excessivo de alimentos gordurosos, alimentos muito ácidos ou muito picantes. E algumas substâncias como café, chá, chimarrão, bebidas com gás e chocolate. Esse tipo de substância aumenta a possibilidade de refluxo porque diminui a força do musculo que se propõe a segurar o ácido dentro do estomago”, argumenta o médico Ângelo.

Refluxo grave – Existem ainda outros sintomas que, segundo o médico, podem ser indicio de uma maior gravidade da doença. Como a dificuldade de ingerir alimentos, alteração do timbre da voz, vômito com sangue, sangue nas fezes, fezes negras como piche, anemia ou perda de peso. “Fundamentalmente esses seriam o que chamamos de sinais de alarme”, ressalta Ângelo. São sinais que podem indicar, por exemplo, uma úlcera de esôfago ou até um câncer.

O refluxo de longa data pode levar a uma condição chamada esôfago de Barret, é uma condição pré-maligna que facilita a condição do câncer de esôfago”, explica. Às vezes a pessoa já tem os sintomas e não percebe, e quando vai se preocupar já está com uma lesão mais agravada. “Esses sintomas mais graves geram a necessidade de investigação mais rápida”, completa.

Recomendações – Dr. Ângelo alerta, ainda, que é importante que as pessoas consultem um médico para definir as recomendações e o tratamento mais adequado, que varia de caso a caso. Embora algumas recomendações mais gerais possam ser feitas. “Evitar grandes refeições, muito volumosas. Preferir várias pequenas refeições durante o dia. Depois de comer, esperar ao menos duas horas para se deitar. Evitar roupas muito apertadas. Para quem tem muito refluxo à noite, a elevação da cabeceira da cama pode ajudar”, sugere o gastroenterologista.

Tratamento – “Baseia-se fundamentalmente na classe de medicamentos chamada ‘inibidores da bomba de prótons’. Na grande maioria dos casos o paciente fica muito bem com o tratamento medicamentoso”, conta o Dr. Ângelo Mattos. Ele explica que somente em algumas situações excepcionais a cirurgia é necessária.

O gastroenterologista insiste que o refluxo é uma doença complexa e, por isso, é importante que o paciente não se automedique e procure um médico para não deixar de fazer um diagnóstico de algo mais grave, como câncer de esôfago.

 

 

Fonte: Lucas Pordeus Leon / Blog da Saúde

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